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sábado, 28 de junho de 2008

A imagem da PM do Rio de Janeiro

Na quarta-feira, 26 de junho, o pessoal do blog Projeto 200 Anos - Renascimento da PM, postou uma imagem que traduz bem a política de segurança pública no Rio de Janeiro. O nome do post é PROJETO 200 ANOS (310) - LEGADO BELTRAME - A IMAGEM DA PM DO RJ . Dispensa explicações. A imagem fala por si, como deve ser o fotojornalismo.



"O dia que não terminou"

Completando a postagem anterior sobre um ano da operação policial-militar ocorrida no Complexo do Alemão, Zona Norte do Rio, segue matéria que escrevi para o site Viva Favela. É só clicar em cima para ler.

por Fabiana Oliveira 27/06/2008

Um ano depois

Ontem fez um ano que 21 pessoas foram mortas no Complexo do Alemão, Zona Norte do Rio. Na verdade foram 21 pessoas nesse dia, porque se for contar desde o início da ocupação na região, dia 2 de maio de 2007, esse número sobe para cerca de 50 mortos e mais de 80 feridos.

Este extermínio teve o apoio estatal que tem política de segurança pública direcionada pela criminalização da pobreza. Onde favelados e pretos, são potenciais criminosos e devem ser exterminados.
Bem, gostaria de escrever um pouco mais, mas por hora achei melhor reproduzir a carta aberta enviada pelo Fórum pela Vida, Contra o Extermínio!
Segue a carta

PELA VIDA, CONTRA O EXTERMÍNIO
CARTA ABERTA À POPULAÇÃO


No dia de hoje completa-se um ano da Chacina no Complexo do Alemão, onde 19 pessoas foram mortas com 78 tiros, sendo que 32 deles disparados pelas costas. A mega-operação que envolveu 1200 agentes também teve como resultado a apreensão de 14 armas, além de nove feridos, incluindo crianças. Os laudos do Instituto Médico Legal demonstram que as pessoas assassinadas foram atingidas em regiões vitais, o que comprova que, em vários casos, não houve a intenção de imobilizá-las, mas sim de executá-las.

Com a realização sistemática de mega-operações policiais, os governos do Rio de Janeiro e o governo Federal estão perpetuando e até mesmo ampliando um projeto de militarização do modelo de segurança pública. Atualmente, não há no Rio de Janeiro uma política de segurança orientada para a proteção da vida. O que existe é uma política de extermínio! Em maio de 2007, logo após uma operação policial na Vila Cruzeiro que deixou 16 mortos e mais de 50 pessoas feridas por balas perdidas, o atual Secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, declarou: “não se pode fazer um omelete sem quebrar alguns ovos” e que “o remédio para trazer a paz, muitas vezes, passa por alguma ação que traz sangue”. O então Secretário Nacional de Segurança Pública, Luiz Fernando Corrêa, em referência ao modelo de política criminal adotado, declarou que “os mortos e os feridos geram um desconforto, mas não tem outra maneira”. Mais recentemente, em 15 abril de 2008, após uma operação policial com 180 agentes, que deixou 09 pessoas mortas e 07 feridas, o Chefe do 1° Comando de Área da Capital do Rio de Janeiro, coronel da Polícia Militar Marcus Jardim, declarou: “A PM é o melhor inseticida contra a dengue. Conhece aquele produto, [inseticida] SBP? Tem o SBPM. Não fica mosquito nenhum em pé. A PM é o melhor inseticida social”.

O governo atual é responsável por um aumento vertiginoso do número de “autos de resistência” – civis mortos pela policia. Em 2007 foram computados 1330 registros. Nos primeiros três meses de 2008, foram registrados 358, o que representa um aumento de 12% em relação ao mesmo período de 2007. Se essa média se mantiver, o Estado do Rio de Janeiro registrará 1431 autos de resistência em 2008. Esse modelo de segurança pública, inscrito num processo social de criminalização da pobreza, não torna o Rio mais seguro. O custo humano dessa política de governo não se justifica! Hoje temos a polícia que mais mata e mais morre no mundo, num quadro trágico que já alcançou índices recordes, jamais vistos anteriormente.

A partir de uma análise da violência policial do Estado brasileiro, vemos que o valor da vida e da dignidade humana de uma determinada parcela dos cidadãos (que podem ser recortados por sua etnia, faixa etária, classe social e geografia urbana ou rural) está se tornando cada vez mais "descartável" pelas estratégias gerais das políticas governamentais do país. A banalização da morte não permite que se veja que cada um desses jovens assassinados, cujos corpos são mostrados “sem rosto”, tinha nome, sobrenome, família, escola, emprego... vida! Essa onda punitiva está acabando com o futuro do país! Infeliz é a sociedade que não se revolta vendo sua juventude ser exterminada.

Por isso nos juntamos aqui hoje: para lembrar o caso do Alemão, mas também Acari, Borel, Caju, Coréia, Lins, Baixada, Candelária, Vigário Geral..... e o recente caso da Providência.
Acusamos os governos de genocídio, racismo, tortura e fascismo, e exigimos: parem de matar os nossos jovens! Queremos justiça e uma profunda mudança na atual política de segurança pública.
Declaramos que ninguém calará nossa voz, nossa dor e nossa luta.

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Pela vida, Contra Política de Extermínio!

Leia abaixo a carta aberta divulgada pelo grupo


O dia 27/06 marca o aniversário de um ano da chacina do Complexo do Alemão. Essa chacina foi resultado da primeira mega-operação da PM em conjunto com a Força Nacional Segurança e teve como resultado a morte de pelo menos de vinte e uma pessoas e o ferimento de nove, incluindo crianças. Contando desde o início da ocupação na comunidade – dia 2 de maio de 2007 – os números são ainda mais alarmantes: mais de 43 mortos e 81 feridos.

Alemão, Baixada, Coréia, Candelária, Acari, Borel, Vigário Geral e o tão recente caso da Providência são apenas alguns exemplos de como as chacinas viraram uma rotina no cotidiano do nosso estado. Esse é o resultado direto da lógica de medo e terror implantada pela política de segurança pública atual, que baseada no confronto e no processo de criminalização dos pobres atinge especialmente os jovens negros.

Acusamos os governos de matar nossa juventude. Acusamos o modelo de segurança adotado nos últimos tempos de promover uma política de extermínio. Acusamos a justiça de omissão e negligência.

Por isso marchamos em lembrança de um ano da Chacina do Alemão: para não deixar no esquecimento as execuções de nossos jovens. Porque não acreditamos que a segurança pública deva se pautar numa política de confronto e extermínio e exigimos a adoção de um modelo de segurança pública baseado na garantia dos direitos humanos, além da investigação rigorosa das circunstâncias de todas as mortes ocorridas em conseqüência dessa política nefasta.

CHEGA DE CHACINA! CHEGA DE EXTERMÍNIO!
SEGURANÇA É GARANTIR OS DIREITOS HUMANOS!

DIA 27/06
MISSA NA CANDELÁRIA ÀS 10H
ATO PÚBLICO CONTRA O EXTERMÍNIO

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Lista da crueldade


Segue a lista com os nomes dos onze militares do Exército que foram indiciados por triplo homicídio. Eles são acusados de sequestrarem e entregarem três jovens da Providência a traficantes do Morro da Mineira, no Catumbi (clique na imagem acima para ler a matéria do jornal "O Globo" e ver o infográfico com a trajetória dos jovens até a morte).

Um deles, o tenente Vinícius Ghidetti de Moraes Andrade, 25 anos, afirmou ter idealizado e comandado a entrega dos jovens do Morro da Providência, no Centro, a traficantes do Morro da Mineira, cujas facções instaladas nesses locais são rivais.

Os militares afirmaram em depoimento que a idéia do ato era "aplicar um "corretivo" nos três jovens". Tirando-lhes a vida. Parece que a justiça fora dos tribunais é bem diferente do que reza a Constituição Brasileira, além de ser bem mais rápida, instantânea.

Não há dúvidas que os militares tiveram intenção de matar os jovens, pois quem mora em favela sabe que ir e vir é um direito restrito às pessoas do "asfalto". Nas comunidades há as barreiras faccionais, onde moradores de uma favela não podem circular em outras, se a facção instalada não for a mesma do local onde mora, sob pena de morte.

Por enquanto, segue a lista com os nomes dos indiciados divulgada no jornal "O Globo". Em breve farei outra postagem sobre.

VINÍCIUS GHIDETTI DE MORAES ANDRADE, de 25 anos: Tenente
LEANDRO MAIA BUENO, de 24: Sargento
JOSÉ RICARDO RODRIGUES DE ARAÚJO: Soldado
BRUNO EDUARDO DE FREITAS: Soldado
RENATO DE OLIVEIRA ALVES, de 22: Soldado
JÚLIO ALMEIDA, de 22: Soldado
RAFAEL CUNHA DA COSTA SÁ, de 21: Soldado
SIDNEY DE OLIVEIRA BARROS, de 21: Soldado
FABIANO ELOI DOS SANTOS, de 22: Soldado
SAMUEL DE SOUZA OLIVEIRA: Soldado
EDUARDO PEREIRA DE OLIVEIRA, de 24: Soldado

domingo, 24 de fevereiro de 2008

Assassinatos de babalorixás, IURD e articulação nacional de terreiros

Em resposta a postagem anterior

Não sei se vocês têm acompanhado, mas recentemente o jornal O Globo divulgou algumas matérias acusando a Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) de estar intimidando jornalistas (se alguém não leu é só clicar nas imagens).

Segundo as reportagens, a IURD estaria movendo ação judicial em diversos estados contra jornalistas e jornais que veicularam matérias ofendendo os fiéis. Pois bem. O que isso tem a ver com o assassinato do babalorixá em Pernambuco?


Recentemente escrevi uma matéria, que saiu online e no jornal Expresso, um dos jornais da INFOGLOBO, voltado para as camadas populares, denunciando a discriminação religiosa que há no Brasil, sobretudo contra praticantes de religiões de matriz africana. (clique aqui para ler a matéria na íntegra)

Não é só em Pernambuco, mas também aqui no Rio de Janeiro é grande a discriminação e temos também muitos casos de babalorixás assassinados. São inúmeros os relatos de pessoas que foram humilhadas por serem do candomblé.

Na matéria eu cito a ação que o advogado, Luiz Fernando, moveu contra um pastor evangélico por ter usado palavras discriminatórias contra entidades do candomblé. As mesmas foram reproduzidas em diversos jornais.

Minhas perguntas são: se estão sendo ofendidos, porque os terreiros, a exemplo da IURD, não se unem para mover ações em diversos estados, primeiro pedindo apuração desses assassinatos e segundo para realmente punir, como manda a lei, quem tem essas atitudes discriminatórias?

Porque não pensar em ações de conscientização e esclarecimento, a nível nacional, em escolas e na mídia sobre as religiões de matriz africana?

Abraços reflexivos nesse frio domingo...

Pai-de-santo é morto em Pernambuco

Mensagem recebida por e-mail

21/02/2008 17:59 Folha de Pernambuco
Pai-de-santo é encontrado morto no Totó
Com informações de Grande Recife

Na manhã desta quinta-feira, o pai-de-santo chamado Luiz Carlos da Silva foi encontrado morto na casa onde morava na rua Carambóia, no bairro do Totó, Grande Recife. O assassinato ocorreu na madrugada e Luiz Carlos levou três facadas no pescoço.De acordo com a polícia, a vítima recebia usuários de drogas em sua residência. Mas não há certeza sobre as causas do crime, embora seja descartada a hipótese de latrocínio, pois não foram roubados objetos da casa.A família chegou ao local do crime muito abalada. Luiz Carlos morava na casa há apenas um ano.

sábado, 16 de fevereiro de 2008

Evolução ou longo beijo da morte?

Conversando com um amigo esses dias, ele me questinou sobre se estávamos vivendo na modernidade ou na hipermodernidade. Graças ao Wikipédia, não terei que definir isso aqui (seria isso uma caracaterística da hipermodernidade??? rsrs). Se não esta postagem ficaria enorme! Quem tiver interesse que clique nos links acima.
Momentaneamente cheguei a seguinte conclusão: para além do conceito ou do louvor a revolução tecnológica ou do ritmo alucinado e efemeridade, preocupo-me muito mais com o resultado dessa "evolução" para os seres humanos.
É inadimissível uma modernidade que produza tanta pobreza e desigualdade, fome, guerra e conflitos. E tudo hipocritamente encoberto pelo sistema capitalista com aval de seu porta-voz: a mídia.
Na postagem anterior fiz um comentário sobre o difícil dia-a-dia de cariocas que moram em favelas. São atingidos diretamente pelo pior lado da modernidnade, pós-modernidade, ou hipermodernidade (defina como quiser). Será que não é o momento de vermos a qual custo evoluímos?
O música "Do the evolution", do grupo Pearl Jam é um belo retrato dessa nossa evolução ou do que eu chamaria de doce e longo beijo da morte. Assista:


quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Pare o mundo que quero descer!

Ao ler a notícia da Rede Nacional de Jornalistas Populares sobre os confrontos entre policiais e bandidos em Manguinhos, na Zona Norte do Rio, a primeira coisa que me vem a mente é: pare o mundo que quero descer!
Em qual local estamos que não escutamos os soluços das crianças assustadas nas favelas ou os gritos das mães desesperadas chorando seus filhos constantemente assassinados?
Quanto tempo mais nos conformaremos com as guerras e com as notícias dos números das guerras e nos darmos por satisfeitos, como as matérias veiculadas pelo Estadão ou pelo Extra Online?
Quanto tempo mais nos conformaremos em conviver com essa falsa realidade e nos colocaremos como observadores distantes dessa rotina de terror ?
Leia abaixo a matéria escrita pela Rede sobre os confrontos em Manguinhos:
Ação da Polícia Militar em Manguinhos mata 5 pessoas até a noite de terça (12)
Testemunhas viram execuções e invasão de vários domicílios nas favelas Mandela 1, 2 e 3. Informações da Rede de Comunidades e Movimentos contra a Violência.
Começou pouco depois das 11h desta terça (12/1) uma operação da Polícia Militar nas favelas Mandela 1, 2 e 3, com soldados e viaturas do 22o Batalhão da Polícia Militar (BPM - Maré). Ao longo do dia, incorporaram-se a CORE (Coordenadoria de Recursos Especiais) e o BOPE (Batalhão de Operações Especiais), que continuam na favela. No momento (23h da terça) 4 viaturas "Caveirões" (blindados de guerra da PM) estão circulando pelas ruas.
Uma moradora do Mandela 1, que entrou em contato com a Rede de Comunidades e Movimentos contra a Violência, presenciou a execução de um rapaz, que já estava baleado e desarmado. A mãe e outros familiares do rapaz imploraram para que os policiais não o matassem, mas ele foi executado diante da família com vários tiros. É bastante provável que as outras mortes também tenham sido execuções e que o número de mortos seja maior.
Diversas casas foram arrombadas com alicates e pés de cabra, as entradas da favela estão bloqueadas e a Rua Leopoldo Bulhões está fechada pela polícia desde Benfica. Muitos moradores estão com medo de voltar para casa e ligam desesperados para seus parentes. Segundo reportagem da TV Record transmitida há pouco, a polícia está esperando ordem para invadir mais casas. Manguinhos é uma das favelas onde serão realizadas obras do PAC.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Cojira-Rio promove evento sobre TV Pública, Ação Afirmativa e Direitos Humanos

A Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial (Cojira-RJ) realiza em 11 de dezembro, a partir das 18h, o seminário TV Pública, Ação Afirmativa e Direitos Humanos.

O encontro será realizado no auditório da sede do Sindicato dos Jornalistas do Município do Rio e marca o calendário comemorativo ao Dia Internacional da Declaração dos Direitos Humanos, cuja data oficial é 10 de dezembro. A entrada é franca.

Profissionais e comunicadores envolvidos com a produção midiática vão analisar, sob a perspectiva das ações afirmativas e direitos humanos, as formas de inclusão da temática sobre igualdade racial no sistema público de comunicação a partir do surgimento da Empresa Brasil de Comunicação (TV Pública).

O debate contará com a participação do jornalista e produtor executivo da TVE, Délcio Teobaldo, do comunicador Márcio Alexandre Gualberto, editor do Palavra Sinistra, e dos jornalistas Suzana Blass (presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro) e Angélica Basthi (responsável pela comunicação da ONG Justiça Global e membro da coordenação Cojira-Rio).

A programação será iniciada às 18h, em parceria com o Cinesind (cineclube do sindicato), exibindo vídeos, dentre eles “TV ROC - O cabo da Rocinha”, produzido pela TV comunitária que atua na Rocinha.

O seminário TV Pública, Ação Afirmativa e Direitos Humanos tem como público alvo jornalistas, educadores, estudantes de comunicação e interessados na temática. O evento acontecerá a partir das 18h na rua Evaristo da Veiga nº 16, 17º andar, Centro.

Sobre os convidados: Delcio Teobaldo – é jornalista, documentarista, escritor, professor universitário, produtor executivo da TVE onde é roteirista de “Conversa Afinada”, minissérie de Música Popular Brasileira. Márcio Alexandre Gualberto – é comunicador, editor do blog “Palavra Sinistra”, coordenador do Coletivo de Entidades Negras (CEN/RJ), colunista da “AfroPress” e integrante do “Mama Press” – Alemanha. Suzana Blass – é jornalista, mestre em comunicação pela Escola de Comunicação/UFRJ e presidente do Sindicato dos Jornalistas do Município do Rio de Janeiro. Angélica Basthi – é jornalista, mestre em comunicação pela Escola de Comunicação/UFRJ, responsável pela comunicação da ONG Justiça Global e membro da coordenação da Cojira-Rio.

SERVIÇO
Seminário – TV Pública, Ação Afirmativa e Direitos Humanos
Data: 11 de dezembro de 2007 (terça-feira)
Local: SJPMRJ - Rua Evaristo da Veiga, nº 16, 17º andar - Centro (RJ)
Horário: 18h às 21h / Entrada Franca
Contatos: Cojira-Rio / e-mail: afrojor_rj@hotmail.com
Sindicato dos Jornalistas: (21) 3906-2450